Na última década, a diversidade tornou-se uma pauta presente em vários contextos. As discussões sobre como tornar o nosso mundo mais abrangente têm ganhado espaço. Elas falam de muitos aspectos, como a ideia de proporcionar maior acessibilidade digital para diferentes grupos. Mas um ponto que se destaca e divide opiniões é o uso da linguagem inclusiva.

Não somente em textos, mas em tudo o que envolve a comunicação, esse modelo de linguagem vem de uma proposta que visa a transformar padrões da língua portuguesa, de modo que ela represente a diversidade existente. E, para que uma empresa se mantenha atual, é importante conhecer as transformações que acontecem na sociedade — o que inclui a linguagem inclusiva.

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Afinal, o que é linguagem inclusiva? Como ela se diferencia da linguagem neutra? Neste texto, você vai saber a resposta para essas e outras perguntas. Então continue a leitura!

Nesse contexto, é importante que as pessoas evitem, na medida do possível, o uso de um gênero na formação de frases, especialmente quando se fala para um público mais abrangente. A linguagem inclusiva também está ligada à ideia de evitar termos pejorativos, preconceituosos ou ofensivos para grupos minoritários, como as pessoas com deficiência, neurodivergentes e LGBTQIAP+, dentre outros. 

O que é linguagem neutra?

Enquanto a linguagem inclusiva procura estabelecer a comunicação incluindo todas as pessoas, sem a necessidade de mudar a língua, a neutra propõe uma mudança mais profunda. Ela consiste em alterações na estrutura do nosso idioma, de modo a tornar neutras palavras que antes seriam associadas a algum gênero. Por isso, encontramos expressões como “todes”, “elu”, “ile” etc. 

Por que a linguagem inclusiva é importante?

O português, assim como outras línguas latinas, tem a característica de utilizar o gênero como um determinante. Sendo assim, algumas palavras mudam de acordo com quem estamos falando. Por exemplo, se vamos nos referir a um grupo de mulheres, utilizamos "todas"; mas, ao falar com um grupo de homens, usa-se "todos". 

O grande problema é que, se estamos em uma sala e há diversos gêneros, o comum é utilizar o masculino, pois é considerado neutro. Essa é uma regra que foi estabelecida nos anos 60, pelo linguista Joaquim Mattoso Camara Jr.

Porém, essa norma já é vista como ultrapassada por muitos, que consideram que o gênero masculino não representa os demais. A linguagem inclusiva é uma maneira de tentar reparar essas inconsistências linguísticas, especialmente considerando a importância da diversidade no contexto atual. 

Para as empresas, introduzir esse conceito à sua comunicação é importante não só para se manterem atualizadas a respeito das mudanças da sociedade, mas também como é uma forma de desenvolver um conteúdo dinâmico e mais inclusivo. 

O uso da linguagem inclusiva pode garantir algumas vantagens, como:

  • melhorar a imagem do negócio;
  • valorizar a diversidade;
  • favorecer a comunicação clara;
  • evitar conflitos com a equipe;
  • aumentar a sensação de pertencimento;
  • mostrar coerência em relação às transformações sociais;
  • tornar a empresa um exemplo de reflexão frente a questões sociais. 

Como usar linguagem inclusiva na prática? 

O fato de a linguagem inclusiva não exigir mudanças na estrutura da língua não significa que implementá-la seja um processo simples. Afinal, será preciso prestar atenção na maneira como nos comunicamos, especialmente para evitar usar o masculino como padrão neutro e tornar as palavras genéricas ao máximo possível.

Confira, a seguir, 5 dicas para isso:

  1. Usar coletivos é melhor do que utilizar palavras genéricas, principalmente ao se dirigir a um grupo. Por exemplo, em vez de escrever "os jovens", use "a juventude". 
  2. Para o uso de adjetivos e tempos verbais menos sexistas, procure ser o mais amplo possível. Quando pensar em usar palavras como "atento" ou "atenta", evite especificar o gênero: prefira “prestar atenção” ou “atente-se”. E, no lugar de frases como “os policiais têm uma formação insuficiente “, use “a polícia tem uma formação insuficiente”.
  3. Para se referir a cargos oficiais ou instituições, prefira escolher substantivos que se referem à coletividade e não ao indivíduo. Em vez de "os políticos", por exemplo, você pode usar “a classe política”. 
  4. No caso de menções a condições de deficiência ou incapacidade, procure evitar o tom de capacitismo ou palavras pejorativas como "aleijado", "incapacitado" e "inválido". É melhor usar termos respeitosos, como "pessoa com deficiência".
  5. Em relação às minorias religiosas e étnicas, o cuidado deve ser para utilizar termos que sejam de preferência desses grupos. Para indígenas, evite utilizar a palavra "índio" — prefira indígena. Também é mais adequado falar "aldeia" ou "território indígena" em vez de "tribo". E, para garantir uma comunicação antirracista, abandone de vez termos racistas como "preto de alma branca" e "cor do pecado", entre outros.

A linguagem inclusiva e a neutra representam uma transformação importante na nossa comunicação. Elas vêm de uma tentativa de tornar a nossa língua mais respeitosa em relação à diversidade e capaz de atender às necessidades de todo tipo de pessoa. Isso se aplica também à produção de conteúdos, sejam eles escritos (como este artigo) ou falados (como um podcast).

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Originalmente publicado 24/05/2022 07:00:00, atualizado Maio 24 2022

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