Não faz muito sentido pensar que uma parte da população, que é a maioria dos brasileiros, sofre discriminação, tem menos oportunidades de trabalho e ainda recebe salários mais baixos. Porém, essa é a realidade dos negros no Brasil: uma maioria tratada como minoria. Até porque, eles somam 54% da população brasileira, o que equivale a cerca de mais de 97 milhões de pessoas.

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É por isso que precisamos usar datas como o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial para trazer o assunto à tona, promover discussões e plantar a semente da inquietação: sua marca busca a diversidade no time? Dá oportunidades iguais a mulheres, gerações X, Y e Z e, claro, às pessoas que se declaram negras?

Neste artigo, você vai entender por que o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial existe e conhecer formas de combater a discriminação na sua empresa. Acompanhe até o final!

Nessa mesma data, 21/3, mas em 1960, em Joanesburgo, na África do Sul, cerca de 20 mil pessoas fizeram um protesto contra a Lei do Passe. Ela obrigava a população negra a portar um cartão contendo os locais onde as pessoas negras poderiam circular. A questão é que, mesmo sendo uma manifestação pacífica, a polícia do regime de apartheid abriu fogo sobre a multidão (que estava desarmada) resultando em 69 mortos e 186 feridos. Assim, a ONU foi quem estabeleceu o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.

A ideia, então, é que a gente aumente as discussões sobre o preconceito racial e as desigualdades existentes, intensificando essa discussão no Dia Internacional Contra a Discriminação Racial.

Vale dizer que, aos poucos — infelizmente mais devagar do que é preciso —, muitos países foram criando suas leis de combate ao racismo. Por exemplo, os Estados Unidos assinaram em 1964 a lei que levou ao fim a segregação racial, conhecida como Lei dos Direitos Civis.

Já no Brasil, a Lei Afonso Arinos, de julho de 1951, foi proposta por Afonso Arinos de Melo Franco e promulgada por Getúlio Vargas nesse mesmo ano, proibindo a discriminação racial no Brasil. Em 2006, tivemos também um projeto de lei que prevê pena de reclusão de dois a cinco anos e multa a quem cometer crime de discriminação via internet.

Acontece que, na prática, ainda vemos muitos casos em que o racismo impera. Como nos EUA, com a morte de George Floyd por um policial, que fez com que a #BlackLivesMatter (vidas negras importam, em tradução literal) surgisse.

No Brasil, temos, infelizmente, vários exemplos de racismo, como o caso Moïse, que chocou o país. O congolês trabalhava em um quiosque no Rio de Janeiro e acabou sendo morto a pauladas. Vale lembrar ainda que 78% das pessoas mortas por armas de fogo são negras, fora as diversas desigualdades em termos de trabalho, que vamos retratar a seguir.

Ou seja, o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial é apenas o começo e funciona para que gente olhe com mais empatia ao nosso redor.

Qual é o panorama da discriminação racial no Brasil e no mundo?

Olhando para o cenário mundial, de acordo com o site Inequality.org, a situação segue precisando de melhorias urgentes. Na Lista da Fortune 500, que traz dados das maiores companhias do planeta, em 2020, dos CEOs que ganharam aproximadamente US$ 15,5 milhões, em média, havia apenas cinco negros e 17 latinos — menos de 5% do total.

Fora dos altos cargos, o panorama segue crítico. Segundo o Bureau of Labor Statistcs, a partir do segundo trimestre de 2021, o trabalhador branco mediano ganhou 26% a mais que o trabalhador negro típico e cerca de 30% a mais que o trabalhador mediano latino.

Já no Brasil, a situação tem ainda muito a evoluir. Menos de 5% dos negros estão em cargos de gerência ou direção. Além disso, mesmo negros que tenham curso superior ganham menos do que os brancos. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva relatada no site da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o salário médio de homens não negros com Ensino Superior em 2019 foi de R$ 7.033, enquanto o dos negros, R$ 4.834.

No mesmo estudo, quando analisamos o recorte de desemprego, os negros sofrem mais: ficaram com taxas de 17,8%, enquanto as pessoas brancas com 10,4%.

A realidade é que essa situação é uma dívida histórica com os negros que remonta à época da escravidão. Por isso, as empresas podem e devem ter ações e políticas que reparem, pelo menos um pouco, tamanha situação de desigualdade. E é o que falaremos na sequência.

Na HubSpot, temos o cuidado de fazer um estudo sobre diversidade anualmente, o que nos indica o panorama interno e como podemos melhor. No relatório de 2022, nos Estados Unidos, nossos colaboradores se declaram:

  • 65,3% brancos;
  • 13,7% asiáticos;
  • 8,8% negros;
  • 7,5$ latinos/hispânicos.

Há ainda porcentagens menores de pessoas com duas ou mais raças, entre outras. Analisamos também os níveis de cargos para que as mudanças aconteçam e tenhamos sempre diversidade nos grupos.

Como combater a discriminação racial nas empresas?

Mais do que pensar em um Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, é essencial que os negócios tenham políticas que tragam mais diversidade ao corpo de funcionários e líderes.

Isso é interessante como reparação histórica, mas também ajuda a melhorar produtos e serviços — afinal, toda marca também vende para pessoas negras, e o comportamento do consumidor é múltiplo. A seguir, trazemos algumas dicas para seu negócio.

1. Crie políticas de diversidade e inclusão

A política de diversidade não foca apenas contratar pessoas que pertencem a minorias, mas sim ter mecanismos que permitam que esses contratados não se sintam discriminados no dia a dia do trabalho.

Aqui na HubSpot, diversidade é coisa séria, pois buscamos defender a diversidade, construir uma cultura e um produto inclusivos e fazer nossa parte para criar um mundo mais justo. Não podemos prometer que sempre acertaremos, mas sempre colocaremos nosso pessoal em primeiro lugar. Foi por isso que criamos a comunidade Black@Inbound, para conectar mais pessoas a profissionais negros.

2. Elimine barreiras e promova igualdade

Pessoas negras nem sempre têm as mesmas chances de estudar, o que faz com que acabem recebendo menos. Entender essas barreiras e criar programas de incentivo ao estudo, por exemplo, é um bom caminho. Como fez o Magazine Luiza com o programa de trainees para negros.

4. Não discrimine

Parece óbvio, não é? Mas incluir o cuidado de evitar a discriminação nas mais diversas esferas, internamente ou com os clientes, é uma necessidade. Além de cuidar para que nossos amigos e familiares também não discriminem.

5. Estimule lideranças negras

Internamente, crie programas que façam analistas ou pessoas de cargos mais baixos terem plenas condições de avançarem a cargos mais altos na hierarquia. Assim, a igualdade entre os funcionários acontece de verdade.

Sua marca deve se posicionar sobre o assunto?

Sim e não. Lembra o caso de George Floyd? Não adianta subir a #BlackLiveMatters nas redes sociais se não existem políticas que favorecem funcionários que pertencem à minoria. Mas você pode usar esse tipo de comunicação se já participa da luta contra a discriminação racial.

De toda forma, é importante usar esses acontecimentos e o Dia Internacional Contra à Discriminação Racial para repensar seu posicionamento: sua marca está mesmo fazendo tudo o que está ao seu alcance?

Reflita e tome as ações necessárias. Nossos consumidores mudaram e preferem marcas que façam do mundo um lugar mais justo, isso traz até melhores índices em pesquisas de satisfação. Mas, acima de tudo, o objetivo é fazer o mundo ser um lugar mais justo.

Já que estamos falando nesse tema, leia sobre o movimento Black Business no Brasil.

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Originalmente publicado 15/03/2022 07:56:00, atualizado Março 15 2022

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