Escrevendo sobre lugares em que nunca estive (O que o Inbound Marketing tem a ensinar para o Jornalismo e vice-versa)

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Eis uma tarefa aparentemente simples para qualquer redator: "Dê 3 dicas de cachoeiras paradisíacas a poucos quilômetros de Brasília". Bom, na verdade, seria simples, não fosse pelo fato de que eu, o redator designado,  nunca estive em Brasília e cachoeira, para mim, rimar mais com insolação e carrapatos do que Jardim do Éden. Como jornalista, pensei logo em recusar a dissimulada missão de escrever num prazo de 24 horas sobre lugares em que nunca estive e tampouco pretendia visitar. Mas, como redator de Inbound Marketing, resolvi topar o desafio, não sem que meu lado jornalista de 15 anos de experiência em veículos diversos começasse a me espetar. Tratava-se de mais um round do duelo entre Jornalismo e Inbound Marketing, como você lê a seguir.

Jornalismo x Inbound Marketing

Não era a primeira vez em que vivenciava uma espécie de crise de personalidade ao escrever conteúdo para Inbound.  O estranhamento começaria em razão do meu primeiro artigo: um tutorial sobre logos. Não medi esforços, entrevistei professores e profissionais da área de design. Fiz um artigo repleto de abre e fecha aspas, com opiniões controversas, relegando a conclusão ao encargo do leitor. Afinal, esse é o modus operandi do repórter: deixar as explicações e opiniões por conta das fontes, as únicas capazes de darem mais credibilidade à matéria. Bom,  depois de enviar o que havia escrito para  o revisor de qualidade da agência, qual não foi meu espanto ao receber o artigo de volta repleto de cortes e observações e, principalmente, sem algumas das minhas tão trabalhadas fontes? Opa, era um post para blog direcionado para o estágio da conscientização ou uma reportagem?  

O que o Jornalismo tem a ver com Inbound Marketing?

Onde foi parar a conclusão? E o CTA? Suas ideias estão soltas! E os subtítulos? Com esse puxão de orelha em forma de tratado sobre conteúdo Inbound, uma coisa ficou clara para mim: estava lidando com algo bem diferente do jornalismo. Mas será mesmo tão diferente assim? Resolvi colocar no papel pontos divergentes e convergentes entre os dois, confira só:

Títulos

No Jornalismo, não existem o que o Inbound Marketing chama de títulos, e sim manchetes. Em termos de conteúdo, ambos têm o mesmo peso e valor, afinal, o principal objetivo é resumir o tema de uma forma atraente e criativa que instigue o leitor a consumir o resto do texto. Na forma, os dois precisam respeitar um número limite de caracteres. No entanto, o título tem uma atribuição extra de comportar a palavra-chave para atender aos critérios de rankeamento do Google, conforme explico no próximo item.

SEO

SEO é talvez o principal desafio para jornalistas que se aventuram pelo Inbound. A primeira impressão é de que as palavras-chave atuam como "alienígenas" que invadem e empobrecem o texto, causando repetições de termos e mudando a ordem de frases que até então pareciam perfeitas. No entanto, com o tempo, qualquer jornalista incorpora o SEO à rotina de redação Inbound, pois entende que essa prática serve posicionar melhor o seu texto  dentro do Google.

Introdução

É justamente na introdução do texto que Inbound e Jornalismo se dão as mãos, uma vez que tanto usuários da web e leitores de jornal impresso não dispõem de muito tempo (e paciência) para absover conteúdos extensos. Para chamar a atenção desse público disperso por natureza, o Inbound conta com uma introdução persuasiva, como se estivesse falando com o cliente em primeira pessoa. Já o jornalismo adota o chamado Lead, o primeiro parágrafo da notícia que, dentro do esquema da "pirâmide invertida" (fatos mais importantes surgem antes dos menos importantes), resume tudo aquilo que o leitor quer saber: "quem, o que, quando, onde, como, por quê".

Estrutura

No Jornalismo e no Inbound, subtítulos têm a mesma função: além de separar grandes blocos de texto, deixando a leitura mais fluída, servem para dividir assuntos correlacionados. O Inbound ainda se utiliza de bullets e grandes imagens para deixar a rolagem do texto mais prazerosa, já o jornal impresso apresenta a tática dos boxes (quando “encaixota” uma parte do texto com objetivo de chamar mais atenção) e infográficos.   

Personas

O Jornalismo de interesse público, em princípio, não é feito para personas: quanto mais imparcial e objetivo, maiores as chances de ser consumido por um universo de leitores de perfis variados. Já o Inbound não só delimita as personas, como elabora o conteúdo de forma que as atinja nos diferentes estágios da jornada do comprador. A produção de texto voltado para personas específicas é uma das principais dificuldades para os jornalistas, no entanto, tanto o Jornalismo quanto o Inbound prestam o serviço de levar um conteúdo que faça a diferença na vida de quem lê.    

Como você pôde perceber nesses 5 tópicos, o Jornalismo tem muito a ensinar ao Inbound Marketing e vice-versa.  Ah, sim! Você ainda quer saber como consegui escrever sobre as cachoeiras de Brasília em que nunca estive sem recorrer a fontes? O segredo está numa prática que vem muito antes de Inbound e Jornalismo: a pesquisa. Só a pesquisa nos transforma em profissionais que sabem de tudo, um pouco. E isso é suficiente para o ponto de partida de qualquer texto. Se você sabe apurar, pesquisar e tirar suas próprias conclusões, não há tarefas e nem temas impossíveis, mas a possibilidade de concatenar argumentos sólidos que podem enriquecer a vida do leitor e, quem sabe, transformá-lo num lead em potencial (e se um dia alguém aí visitar a Chapada dos Veadeiros, que me mande um Instagram!). 

E você, já se deparou com temas "impossíveis"? Quais? Conte para nós!

Nova chamada à ação

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